ÚLTIMA GUARNIÇÃO

Quando eu puder viver sem dor,
Poderei sentir dos teus olhos o calor;
Ainda que eu andasse três ou quatro léguas
Dentro de escuridão qualquer, não estaria às cegas.

A tua força mantém-me perseverante,
Por mais vezes que eu me pareça distante
É dos teus pensamentos que me procuro lembrar
E na esperança dos teus olhos me anseio espelhar.

Tento dar solidez necessária a minha mão,
Quando o acaso acomete em desespero um triste afogado
Perdido no labirinto da morte e sem ar no pulmão
Ao encontrá-lo, restituo a esperança ao olhar desenganado.

Sirenes e alarmes ressoam aos meus ouvidos
Levando agilidade e precisão em passos apressados
Carrego comigo sabre, armadura e um elmo chamuscado
Minha montaria resplandece em tom avermelhado

Da escuridão escaldante e da maior das torres
Pende minha vida em cabos e polias
Meus heróis jazem e lutam contra suas dores
Sendo sua fé inabalável no pior de todos os dias

A solidez de minhas mãos corta o aço
Fechando a porta da morte e as feridas da dor
Para dar às vitimas o calor de meu abraço
E a oportunidade de continuar a viver com amor

Minhas mãos trabalham demais
Apesar de cansadas e doloridas
Enxugam lágrimas de crianças perdidas
Cuja esperança, não possuem mais

Eu sou minha mão
Eu sou minha guarnição
Minhas mãos não desistem do parado coração
Meus lábios sopram o pouco ar ao falho pulmão

Quando meus olhos cingem ao céu
Meus braços estendem-se em única ida
Aproveitando chance única e decisiva
De resgatar o pobre suicida

Eu sou menos do que procuro ser
Eu sou o que minha dor determina
Eu sou o que teus olhos me dizem para ser
Eu sou nada sem tua luz que me ilumina.....

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